Chrono Cross e a física quântica do Gato de Schrödinger

Baseando-se na teoria do gato de Erwin, vamos assumir dois estados de vitalidade em Chrono Cross, vivendo a dualidade de Serge em duas dimensões.

Por Adriano Ribeiro em 12 de março de 2015

A teoria quântica é um dos campos mais misteriosos em que o ser humano tem conhecimento. Assumir dois estados ao mesmo tempo ou se movimentar a velocidade superior a da luz ainda é um mistério. Para ampliar ainda mais o campo quântico, o físico austríaco Erwin Schrödinger em 1935 desenvolveu a teoria do chamado “Gato de Schrödinger”.

Um gato que curiosamente colocado em uma caixa com material radioativo e veneno teria 50% de chance de lhe matar e leva-lo a dois estados ao mesmo tempo, de vivo e morto. Dessa forma, o gato só assumiria uma das formas depois que nossa realidade forçasse sua vitalidade para um dos dois estados.

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Mas como seria assumir dois estados ao mesmo tempo? Estar vivo e morto em um mesmo espaço não seria algo possível, porém em outra dimensão provavelmente pode-se assumir um estado diferente do atual. Um dos títulos que supostamente fazem essa abordagem no videogame é Chrono Cross. Temos uma abordagem em que podemos viver os dois estados ao mesmo tempo, estando vivo e morto, isso em dimensões diferentes. O título nos faz demonstração da nossa interferência no universo, manifestando a nossa vida em dois espaços, seja ela com boas ou más influências.

Assim como a partícula sub-atômica é responsável pelo estado de vitalidade do gato ao abrirmos a caixa, a partícula sub-atômica é responsável pela transferência do protagonista Serge em Chrono Cross para outra dimensão, ocasionando desequilíbrio entre mundos, pois Serge está vivo em um mundo e adentra outro mundo onde lhe foi declarado como morto.

A trama se dar início após Serge sair da sua vila de pescadores a destino da praia, onde é acertado por um tsunami e ocasionalmente levado para outro mundo/dimensão. Assumindo o estado morto do ser, Serge volta a sua vila e ao dialogar com sua namorada ela lhe diz que esse garoto de nome Serge foi morto a 10 anos atrás.

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Dada a semelhança do estado de vitalidade do Gato de Schrödinger, Chrono Cross nos mostra a nossa influência no mundo, onde podemos vê-lo de duas formas, estando vivo e morto. Por estar morto a cerca de dez anos nessa outra dimensão, os hábitos dos habitantes mudaram drasticamente. A mãe da garota que a deixava brincar na praia agora é mais rígida, o pescador que não tinha medo das ondas agora teme por elas, e sua namorada não lhe conhece mais. Influenciado pelo efeito borboleta, onde suas atitudes podem mudar o destino, a ausência de Serge na vila é resultado da mudança dos hábitos daqueles habitantes.

Assumir dois estados diferente abre uma fenda entre ambas dimensões, desse modo, a única forma de equilibrar as duas dimensões seria Serge voltando para o seu verdadeiro mundo. Ao desenrolar da trama o game nos faz um conflito de mundos, fazendo-nos trocar novamente o estado de vitalidade.

Encontrado a pantera Lynx, nos é acionado outra troca, mas dessa vez de corpo e não de mundo. Para ocorrer a troca de corpo foi necessário Serge estar morto no “Another World” e Lynx estar morto no “Home World”, dessa forma, uma das maneiras de equilibrar os dois mundos seria os dois trocar de corpo (teoricamente a alma) e assumir a morte de Serge no Another World. Com Serge no corpo de Lynx e vice-versa, o nosso protagonista agora busca se encontrar no jogo e voltar a sua dimensão de origem.

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Apesar desse ser o início da trama principal de Chrono Cross, no videogame é que temos a possibilidade de viver dois estados de vitalidade ao mesmo tempo em ambiente interativo, relativizando nossa existência como fator importante para as pessoas que estão a nossa volta. Nele é que fazemos parte das ações dos personagens e não seguimos uma narrativa linear. Do estado de vitalidade adotado pelo Gato de Schrödinger ao Efeito Borboleta, em Chrono Cross a existência de cada ser humano é algo relevante para o equilíbrio dos mundos.

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