Análise | A narrativa sentimental de Gone Home

De enredo cativante, Gone Home se destaca pela sensibilidade e sentimentalismo transmitido em sua narrativa sobre a história da família Greenbriar.

Por Adriano Ribeiro em 27 de março de 2015

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Quando joguei pela primeira vez Gone Home eu senti uma sensação única. Ele me trouxe uma visão diferente de mundo, pois eu não sabia do que se tratava, não sabia se tudo aquilo fazia algum sentido ou se não era uma simples abstração pessoal, e ainda penso a respeito. Há certas obras em que não podem ser descritas, é como se palavras não fossem o suficiente para descrevê-la, em Gone Home acontece isso, mas adianto que a The Fullbright Company apresenta uma narrativa peculiar e imersiva o suficiente para fazer refletir sobre a vida alheia, mas não para todos.

Gone Home é o tipo de obra onde o jogador se encontra diante um espelho, uma oportunidade de sentir um elevado grau de humanidade e sutileza em fatos simples do nosso cotidiano. A trama nos coloca em uma posição elevada, onde não sabemos a vida alheia, mas nem por isso deixamos de julgá-la.

Assumimos o posto de Kaitlin Greenbriar, uma jovem garota que chega da viajem de um ano da Europa. É dia 6 de junho de 1995 em Portland, ao chegar na nova casa dos nossos país não sabemos porque eles não vieram nos receber, há apenas um bilhete da nossa irmã mais nova, Samantha, grudado na porta pedindo perdão por não está lá para receber sua querida irmã. Como não sabemos o porque de nossa família não está lá, só nos resta vasculhar toda a casa em busca de pistas.

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Está chovendo forte lá fora e o clima dentro da casa é um pouco aflito. Entramos na casa e somos recebidos pelas luzes que piscam em solidão, então, começamos nossa busca revirando quase tudo na casa. Cada desenho, objeto ou texto possuem um certo valor na descrição da família, é como se a personalidade dos personagens se materializassem no decorrer da trama, como se tivéssemos algum contato com eles antes e agora estivéssemos vendo seu lado familiar.

Quase tudo se resume ao mundo pessoal da Sam, descrito pelas suas palavras no diário. Com os principais acontecimentos descritos nele, todas aquelas palavras se tornam ainda mais especiais na voz da Sarah Grayson. A sutileza e sentimentalismo transmitido são singulares, isso tudo resultando na incrível harmonia das personagens.

A principal característica de Gone Home está em sua narrativa, pois no game não passamos de nada mais que curiosos, por isso não procure estragá-la, aconselho não procurar informações adicionais sobre a trama até ter finalizado. A forma que o título desperta a nossa curiosidade é um tanto interessante, soltando pistas de forma constante sobre os acontecimentos, sendo alguns deles de grande intensidade, dessa forma, alimentando nossa atenção a todo momento.

Apesar de não corresponder com a maioria dos gostos dos jogadores, Gone Home possui um valor único, apresentando uma história imersiva o suficiente para lhe fazer olhar como aquilo que nos cercam diz a respeito de nós mesmos, seja a fita de Street Fighter II na estante ou o VHS de Arquivo X. Seu destaque fica pela forma de contar uma história cotidiana, de uma família normal, porém trazendo um certo valor pessoal, explorando o lado complexo dos homens e das mulheres, isso tudo transmitido de uma forma sensível e sentimental. É como uma história banal aos olhos do outro, mas de grande valor para nós mesmos.

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