Chrono Chross e a crítica de Serge ao açoite da solidão

Após a viajem do Serge ao mundo paralelo, o protagonista se encontra no estado solitário, não contanto mais com as antigas personalidades de amigos ou familiares.

Por Adriano Ribeiro em 6 de abril de 2015

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Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia” – Friedrich Nietzsche

Chrono Cross é um RPG lançado em 1999 e tem como protagonista o jovem garoto Serge. O jovem de cabelo azul que mora na vila de Arni acaba por se tornar vítima do desequilíbrio de mundos quando assume dois estados de vitalidade, assim, nos deparamos com um mundo totalmente novo, onde Serge agora se encontra no estado de exílio de companhia, não tendo mais amigos, familiares ou quaisquer outras personalidades que preencha essa solidão, além de si mesmo.

Entrando no mundo de falsas personalidades, com relações supérfluas e estereotipadas da atual sociedade, o nosso existencialismo interior é a única característica que nos rege, onde nela podemos olhar dentro de nosso mundo idealizador para a visão do mundo concreto. Desta forma, vamos da solidão de indivíduos para a profunda solidão existencial, quando estamos diante ao espelho de nós mesmos, refletindo sobre nossa moralidade e existência.

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Um dos pontos mais curiosos da sequência não direta de Chrono Trigger é a existência de 45 personagens jogáveis, mas essa característica não é colocada como um simples detalhe na jogabilidade, mas sim, como uma raiz de solidão refletida no desenrolar da trama pelo protagonista, onde as influências dessas 45 personagens são quase que insignificantes para o destino final, com exceção dos quatro principais: Lynx, Serge, Harle e Kid.

Da mesma forma quando estamos rodeados de diversas pessoas dos mais diferentes gostos, ao analisarmos esse ponto podemos ver o quando Chrono Cross se faz uma crítica a solidão, quando como não conseguimos preencher o vazio de nossa alma com a simples presença de terceiros, ou até mesmo, quem sabe, com prazeres humanos. Como o pensamento de Nietzsche sobre a solidão que nos atormenta, vemos que a sua presença talvez seja fundamental.

Para quem não jogou Chrono Cross pode parecer um pouco estranho o que foi dito, mas a linha de enredo permanecerá inalterada, mesmo quando se adquire os mais de 40 personagens. É como se a presença deles fossem descartáveis, como quando estamos andando na rua e a presença daquela que estar do outro lado fosse substituível e vice-versa.

Assim como o ser que reside o ovo terá sua personalidade inalterada até que chegue a nascer, eventualmente terceiros não terão influências tão dramáticas sobre nosso futuro. Basta parar por momento e visualizar o quanto a solidão é onipresente. Podemos citar um simples exemplo: ao pensar e racionalizar uma nova ideia ou ação, as mesmas e consequentemente nós, nos encontramos solitários até o momento em que ela seja compartilhada, pois ninguém seguiu ou seguirá seu pensamento até que ela se materialize para o mundo concreto.

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Sentir solidão não é estar só, é estar vazio” – Sêneca

Nisso, a solidão de personalidades não se tornam um real problema quando materializado em Chrono Cross, porém o açoite da solidão da alma se torna um estado angustiante de perdição. Como o Serge não chega a entrar no estado de perdição, sua personalidade o torna forte bastante para lidar com a falta dos antigos amigos e familiares, assim fazendo do problema uma nova chance para conhecer novas pessoas e voltar para seu mundo de origem. Desta forma, a personalidade do Serge é de grande influência para o mundo, onde ele não deixa a solidão lhe tomar por completo, tornando-a como uma nova oportunidade de retomar sua vida.

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