Nostalgia Gamer | Record of Lodoss War, o filho bastardo de Diablo

Deixando sua marca na indústria do videogame, assim como o Dreamcast, Advent of Cardice se despediu do mundo dos videogames na última odisseia pela amaldiçoada Lodoss.

Por Adriano Ribeiro em 16 de abril de 2015

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Disseminando a pilhagem de dungeons até o Dreamcast, Record of Lodoss War: Advent of Cardice chegou no mercado em 2000 para o último console da Sega. Caracterizado pela jogabilidade que se rejeitava a seguir padrões estabelecidos pelo RPG da Blizzard, Advent of Cardice nasce como filho bastardo de Diablo, levando os jogadores pela última vez às terras amaldiçoadas de Lodoss no videogame.

Baseado no anime e mangá de Record of Lodoss, o título segue após o final dos OVAs. Mesmo sendo continuação da animação japonesa, não é necessário conhecimento prévio de seu contexto, onde assim como Diablo, o título introduz os jogadores com as principais informações sobre seu enredo. A trama se dar início de forma simples e clichê. O bruxo Wadgart juntamente com a feiticeira cinzenta Karla, buscam reviver a deusa negra da destruição Kardis. Julgando ser o único capaz de deter Kardis, o mago Wort ressuscita o antigo e poderoso guerreiro imperador Beld.

Quando ressuscitado, o personagem não se lembra de seu passado e lhe é dado somente a missão de impedir a destruição por Kardis, afinal, pelo estilo de jogo não é necessário de muito sentido para os jogador seguir adiante superando desafios e aprimorando habilidades. Antigos personagens do universo Lodoss também aparecem, como as elfas: Deedlit, Pirotess, o cavaleiro negro e antigo mão-direita de Beld: Ashram, além de Leilia, Karla, Slayn, entre outros.

Com grande parte do universo de Lodoss inspirado em Dungeons & Dragons, o game segue a mesma linha do RPG medieval, porém com traços mais profundos de um dungeon crawler, seguindo a mecânica de pilhar itens e caçar novos equipamentos. Não é preciso muito para tentar convencer o jogador seguir adiante, pois além de sua sólida trama composta por grandes figuras da série, um dos principais objetivos do gênero é aprimorar equipamentos e superar as criaturas mais fortes.

Sendo um dos precursores do gênero para consoles, Advent of Cardice adaptou e adicionou diversos elementos em sua jogabilidade, trazendo uma nova forma de jogar. Níveis fazem pouca diferença. O conceito de magias e habilidades ainda estava em fase inicial. Restando apenas o aprimoramento de equipamentos, e da estratégia e habilidade do jogador para avançar na aventura ou superar desafios paralelos.

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De vasto arsenal de magias, elas não se mostram tão eficientes quando comparadas ao nível dos desafios. Com raras exceções além da magia de regresso, poucas realmente se mostram úteis quando a coisa fica mais complicada, tornado essa dificuldade uma abertura para a criatividade e estratégia do jogador. Record of Lodoss é um dos poucos jogos que realmente faz uso do tamanho de suas espadas em benefício do jogador. Como não podemos usar qualquer outro tipo de equipamento causador de dano além de espadas, em certas situações quanto maior a espada, maior a vantagem. Como a possibilidade de usar macetes para derrotar determinados inimigos, como fazê-lo ficar atrás de uma pilastra enquanto o atacamos. Isso leva muito tempo para tirar toda a vida do chefe e pode parecer anormal em primeiros instantes, mas esses tipos de macetes se tornam bastante úteis, aumentando a tensão das batalhas quando aventura-se em dungeons acima de seu nível.

Como a maioria das dungeons estão acima do nível do jogador, o título pune diversas vezes nosso herói por tentar progredir em áreas mais avançadas, fazendo de sua paciência e o ferreiro Anvar seus principais aliados. Alguns podem dizer que o Anvar não é tão aliado quanto parece, mas é ele quem vai fazer os jogadores aprimorarem as habilidades do herói em suas espadas e armaduras. Na ausência de uma grade evolutiva e do sistema eficiente de níveis, o uso estratégico de equipamentos e o aperfeiçoamento de armas e armaduras são as únicas formas eficientes de aumentar os atributos do nosso personagem, e quem faz isso é o velho Anvar.

Como nada funciona sem uma moeda de troca, Anvar cobra mithril para aprimorar nossos equipamentos. Quanto mais aprimoramos, mais caro a brincadeira fica. Para adquirir mithrils os jogadores precisam procurá-los nas dungeons e minerá-los pessoalmente, sendo possível também os inimigos recompensarem o jogador com essa moeda. Mesmo sendo uma tarefa estranha e até mesmo chata no início, ao avançar na aventura começamos a desenvolver formas de minerar mais eficientes, onde às vezes até mesmo buscar por novas jazidas mostram ser uma nova aventura.

Outro detalhe a ser destacado a respeito do Anvar são suas prateleiras de armas e armaduras, nela todas as armaduras, espadas e escudos que adquirimos são colocadas para exibição, sendo uma forma de demonstrar sua coleção e ao mesmo tempo tomar conhecimento sobre os conjuntos ainda não adquiridos.

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Assim como todo bom RPG, mesmo com todas as dungeons finalizadas – que já requer muito tempo e habilidade -, o jogador se encontra diante do maior desafio: derrotar um dos cinco dragões antigos: o dragão negro Narse. Teremos duas formas de lutas, a primeira delas é mais fácil, nela podemos derrotar o Narse em sua versão falsa, onde o mesmo é invocado pela feiticeira Marela como um verde dragão negro; na segunda forma de luta podemos matar o Narse verdadeiro, sendo que ele é o inimigo mais poderoso do jogo. Após derrotar Narse em suas duas formas, não espere grandes recompensas além de mithrils, afinal, já temos estamos com quase todos os itens e aprimoramentos.

Em questões visuais, o título apostou na apresentação de cenários e personagens de tonalidade mais escuras com pouca saturação, seguindo uma linha de abundância na cor marrom no intuito de transmitir cenários medievais e de pouca diversidade nas cores. A modelagem e animação dos personagens não eram tão fluídas quanto em Diablo II por exemplo, mas mesmo seu visual não sendo o ponto forte, ele cumpre bem seu trabalho.

Se o visual cumpre bem o que lhe é proposto, podemos dizer que a trilha sonora faz o mesmo, porém em escala maior. Não tendo músicas tão memoráveis mas de grande importância para a criação da atmosfera e imersão do jogador, músicas como a da batalha irá ecoar entre os ouvidos dos jogadores quando finalizar o título, pois seu ritmo eletrizante combinado aos ataques de nosso herói constroem longas lembranças nas terras de Marmo, ilha na qual se passa a aventura.

Record of Lodoss War (Crave Entertainment) [NTSC-U]

A última odisseia de Record of Lodoss deixa saudades pelo abandono das diversas aventuras inexploradas do rico mundo de Lodoss em gráficos tridimensionais, pois assim como Beld renasceu pelo mago Wart, histórias paralelas poderiam ser desenvolvidas e recontadas. Dessa forma, a jogabilidade única e a combinação do combate frenético com a pilhagem de dungeons faz de Advent of Cardice uma odisseia memorável, despedindo-se com grande epitáfio no último console da Sega, o Dreamcast, assim como sua marca e contribuição na indústria dos videogames.

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