Análise – Valiant Hearts em serviço da nação

Deixando de lado a ação frenética e combates armados, Valiant Hearts reconta a Primeira Guerra Mundial inspirando-se no confronto e nas cartas enviadas pelos soldados.

Por Adriano Ribeiro em 24 de abril de 2015

Valiant Hearts: The Great War_20140625183117

Construído a partir de dados e acessórios históricos da primeira grande guerra, Valiant Hearts: The Great War nos estimula a buscar colecionáveis pelo desejo de descobrir informações que naturalmente não são encontradas em livros. A busca pelo isqueiro de corda, o aprimoramento do barbeador, ou informações sobre as canetas usadas pelos soldados durante a guerra demonstram a necessidade de evolução em acessórios básicos, tornando essa busca algo relevante.

Nos colocando na Primeira Guerra Mundial, Valiant Hearts traz uma experiência sensível que coloca de lado o combate frenético e trocas de tiros por uma experiência mais literária e sentimental.

Tudo começa no ano de 1914. Após o grito de guerra da Alemanha a Rússia, os exércitos de ambas nações acabam por se torna uma força militar pequena e a busca por mais soldados se torna algo agressivo, solicitando a presença dos homens nas cidades e no campo. O primeiro a partir é o alemão Karl, que é obrigado a deixar sua vida no campo com a esposa Marie e seu filho na França. O segundo a partir é o pai de Marie, Emile, onde mesmo estando em idade avançada é solicitado pelo exército francês.

Valiant_Hearts_wallpaper

O clima é de festa em ambas nações envolvidas, a guerra era motivo de alegria e glória para cada país. Servir ao seu Estado no campo de batalha era algo digno de honra, e ser um porta bandeira durante os combates era uma posição invejável. Porém, tais sentimentos não chegaram a contagiar nossos personagens.

Nascendo das cartas de soldados que batalharam durante o conflito, o título conta com diversos personagens bem caracterizados, onde mesmo cada um possuindo desejos próprios, eles possuem um objetivo em comum: sobreviver a guerra e voltar para vida tranquila com sua família. O universo se constrói a partir simplória jogabilidade side-scrolling. Seu visual de contraste preto e branco é digno de uma graphic novel, a expresão dos personagens adentra em nós quando ao lado da dublagem sentimental e de sua trilha sonora, traz forte efeito empático.

A trama se passa durante quase toda a Primeira Guerra Mundial, tendo tudo isso divido em quatro capítulos que mostra a participação de todos os personagens, onde em determinados momentos ocorre reviravoltas que nos fazem passar por cenários já visitados mas em perspectiva diferente. É descrito apenas as informações fundamentais de cada personagem, apresentando-nos seus passados de forma breve, onde ao mesmo tempo se monta como um quebra-cabeça a conexão entre os todos eles.

valiant hearts peace vs war

O primeiro amigo de Emile na guerra é o voluntário norte-americano Freddie. Especialista em explosivos, Freddie mostrará ser o melhor amigo de Emile. Do outro lado da guerra nos é apresentado a jovem médica Anna que em momentos chaves no objetivo de salvar civis, usará da mecânica singular para ajudá-los em um dos puzzles mais memoráveis. Por último, temos o cachorro Walt, a sua linguagem não-verbal nos fará conectar a todos os outros.

Mesmo sendo inevitável momentos como uso de metralhadoras e algumas mortes durante os confrontos, o título se baseia mais na experiência em quebra-cabeças. Trazendo características únicas e uma história de maior peso emocional do que violência propriamente dita. Na maior parte do tempo usaremos da colher para cavar trincheiras com Emile, usar de alicates para cortar arames farpados com Freedie, salvar vidas com Anna, ou auxiliar nossos companheiros com Walt.

Valiant Hearts como obra geral demonstra o lado emocional que perturbou os soldados da Primeira Guerra Mundial. O constante pensamento se os familiares estarão bem quando chegarmos em casa agita a curiosidade do jogador. No uso da trama principal para mostrar a divisão de uma família, fruto da guerra, o título também demonstra diversas curiosidades que naturalmente não são encontradas em livros, como a necessidade dos soldados fazerem a barba regularmente, momentos de tédio nas trincheiras e o aprimoramento das antigas formas de comunicação.

No final de tudo, Valiant Hearts: The Great War mostra que chegada a hora de partir, restam apenas histórias de corações valentes que foram obrigados a abandonar seus sonhos em nome da nação.

Comentários