De Drácula a Saruman, Christopher Lee falece ao 93 anos

Faltando pouco menos de 10 anos para se tornar um ator secular, um dos maiores antagonistas do cinema faleceu no último domingo.

Por Adriano Ribeiro em 11 de junho de 2015

Christopher Lee

Bons atores sempre são figuras notórias, sejam eles reconhecidos pelo primor na interpretação dos personagens ou até mesmo por uma voz “emprestada” ao outro em produções audiovisuais. Sendo um atores de maior longevidade cinematográfica, Christopher Lee faleceu no último domingo (07) em Londres no distrito Chelsea, segundo o jornal The Telegraph.

Nascido em 27 de maio de 1922, Christopher Lee começou cedo sua carreira como ator, em especial, como antagonistas. Partipando de mais de 200 produções, Lee começou a ganhar destaque após o contrato com a Hammer Films, a companhia cinematográfica britânica especializada em filmes de horror, que viria a colocar (e imortalizar) o ator no papel do Conde Drácula em 1958. Poucos anos após a virada do século, em 2003, o ator veio a firma-se como uma das maiores figuras geek no cenário cinematográfico, atuando como o mago Saruman na trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson.

Apesar de Christopher Lee ter sido destaque na indústria cinematográfica, o ator também teve suas contribuições no videogame com dublagens em jogos. Mesmo que sua voz tenha sido repetida como Saruman em títulos baseados no universo de Senhor dos Anéis, ele também foi responsável pela voz do Overlord Lucan D’Lere em EverQuest II (2004) e do misterioso Ansem the Wise em Kingdom Hearts 2 (2005). Além de ter dublado mais de 10 outros jogos.

[Atualização: Anteriormente havíamos divulgado que Christopher Lee havia dublado o Lei Shen em World of Warcraft: Mists of Pandaria, porém conforme os dados do IMDB, o dublador do personagem foi Paul Nakauchi. Enviamos um email a Blizzard para veracidade de informações, porém até o fechamento desta atualização não tivemos retorno. Pedimos desculpas pelo equívoco.]

[Atualização: Em carta de homenagem a morte de Christopher Lee, o diretor Peter Jackson que trabalhou ao lado do ator em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, compartilhou com palavras de honra a triste notícia sobre Lee, afirmando que ele foi “Um verdadeiro cavalheiro, numa era que já não valoriza os cavalheiros”. Veja abaixo suas grandes palavras.

Foi com uma tremenda tristeza que eu soube do falecimento de Sir Christopher Lee. Ele tinha 93 anos de idade, há algum tempo não vinha gozando de sua usual boa saúde, mas seu espírito se manteve, como sempre, indômito.

Christopher falava sete línguas; ele foi, em todos os sentidos, um homem do mundo; versado em arte, política, literatura e ciência. Ele foi um estudioso, um cantor, um contador de histórias extraordinário e, claro, um ator maravilhoso. Uma das minhas coisas favoritas a fazer sempre que eu ia a Londres era visitar Christopher e Gitte, onde ele iria me deliciar com horas e horas de histórias sobre sua vida extraordinária. Eu adorava ouvi-las e ele adorava contá-las – elas eram contadas da forma mais atraente porque elas eram verdadeiras –, histórias de seu tempo com o SAS [Serviço Aéreo Especial da Grã-Bretanha], durante a Segunda Guerra Mundial, dos anos do Horror da Hammer e, depois, de seu trabalho com Tim Burton – do qual ele foi extremamente orgulhoso.

Eu tive a sorte de trabalhar com Chris em cinco filmes ao todo e nunca deixou de ser uma emoção vê-lo no set. Eu me lembro dele dizendo, no meu aniversário de 40 anos (ele tinha 80 na época), “Você é a metade do homem que eu sou”. Ser metade do homem que Christopher Lee foi é mais do que eu jamais poderia esperar. Ele foi um verdadeiro cavalheiro, numa época que já não valoriza cavalheiros.

Eu cresci amando os filmes de Christopher Lee. A maior parte da minha vida eu passei encantado pelos grandes e icônicos papéis que ele não apenas criou, mas de que se apropriou ao longo de décadas. Mas, em algum ponto de sua estrada, Christopher Lee, de repente e magicamente, dissolveu-se e tornou-se meu amigo, Chris. E eu passei a amar Chris ainda mais.

Nunca haverá outro Christopher Lee. Ele tem um lugar único na história do cinema e nos corações de milhões de fãs ao redor do mundo.

O mundo será um lugar menor sem ele.

Minhas profundas condolências a Gitte e a sua família e amigos.

Descanse em paz, Chris.

Um ícone do cinema virou lenda.“]

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