O Irã emitiu na sexta-feira um alerta contundente contra qualquer intervenção dos EUA, prometendo uma resposta depois que o presidente Donald Trump disse que Washington ajudaria os manifestantes na república islâmica.“Qualquer intervenção que se aproxime da segurança do Irão sob pretextos será interrompida com uma resposta que induz ao arrependimento”, escreveu Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, no X. “A segurança do Irão é uma linha vermelha”, acrescentou.
Shamkhani também se referiu às ações anteriores dos EUA na região, dizendo que os iranianos estavam familiarizados com a experiência de serem “resgatados” pelos americanos, citando conflitos desde o Iraque e Afeganistão até Gaza.O alerta surgiu no meio de tensões crescentes, à medida que os protestos contra as dificuldades económicas se espalhavam por partes do país.Trump já havia alertado Teerã contra o uso de violência contra os manifestantes. Numa publicação no Reality Social, ele disse que se o Irão “matar violentamente manifestantes pacíficos”, os Estados Unidos “viriam em seu socorro”, acrescentando que Washington estava “bloqueado e carregado”. As suas observações seguiram-se a dias de manifestações provocadas pelo agravamento das condições económicas e pela queda acentuada da moeda iraniana.A troca de ameaças ocorre no momento em que os protestos entram no seu sexto dia, com relatos de agitação em várias províncias. As manifestações foram motivadas em grande parte por queixas económicas, incluindo o aumento dos preços e o colapso do rial, embora também tenham sido ouvidos gritos contra o sistema dominante do Irão, segundo a agência de notícias AP. Pelo menos sete pessoas foram mortas até agora na violência ligada aos protestos.Autoridades iranianas acusaram forças externas de alimentar a agitação. Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, alegou no X que os EUA e Israel estavam a alimentar as manifestações, alertando que a intervenção americana levaria ao “caos em toda a região”.“Com as declarações das autoridades israelitas e de @realDonaldTrump, o que estava a acontecer nos bastidores tornou-se claro. Distinguimos entre a posição dos comerciantes que protestam e as ações dos sabotadores, e Trump deve perceber que a intervenção dos Estados Unidos nesta questão interna levará à desestabilização de toda a região e à destruição dos interesses americanos”, escreveu Larijani.“O povo americano deve saber que foi Trump quem iniciou esta desventura e deve prestar atenção à segurança dos seus soldados”, acrescentou.Os protestos marcam a agitação mais significativa desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia policial desencadeou manifestações em todo o país.








