Manuela Runge, artista de teatro e dança radicada em Zurique, conduz um workshop para atores amadores em Tiruchi. | Crédito da foto: M MOORTHY
Numa manhã de sábado, com as vacas mugindo ao fundo e o vento assobiando por entre as árvores de uma fazenda no subúrbio de Tiruchi, um pequeno grupo de artistas amadores pratica a arte do espelhamento, seguindo o exemplo da pedagoga suíça de teatro e dança Manuela Runge, aprendendo a imitar os movimentos uns dos outros sem se tocar.
Manuela, de nacionalidade alemã radicada em Zurique, tem quase 20 anos de experiência no ensino de artes teatrais e dança a crianças, jovens e pessoas com deficiência.
Atualmente em visita pessoal ao sul da Índia, Manuela tem conduzido workshops para estudantes em Tiruchi, Chennai, Tirunelveli e Dindigul.
O espelhamento está entre as muitas técnicas que o professor-artista usa para ajudar os atores a facilitar sua linguagem corporal no palco.
As artes performativas, especialmente o teatro, podem ser uma ferramenta poderosa para ajudar crianças oriundas de meios problemáticos a encontrar modelos positivos fora dos seus círculos sociais familiares, diz ela. “Sei que isso é verdade porque meu pai bebia muito e tinha tendência a comportamentos violentos. Meus pais se separaram quando eu tinha seis anos. Minha mãe criou a mim e a meu irmão mais velho. O teatro foi onde pude ver as diferentes possibilidades para o futuro”, diz Manuela.
O teatro também é uma família e um lugar de pertencimento, acrescenta. “Muitas vezes você pode ver outras pessoas com problemas semelhantes aqui. É um espaço seguro onde você não se sente sozinho. E isso lhe dá poder.”
A curva de aprendizado
Manuela, desde cedo queria ser atriz. “Mas eu period muito tímida para ir para a escola de atuação. Consegui um emprego como professora e foi aí que percebi que poderia canalizar meu interesse pelas artes cênicas ensinando teatro para crianças”, diz ela.
Aprofundando-se na pedagogia teatral, ela percebeu que o drama não precisa ser apenas diálogos e declamações. Manuela é especialista em treinar pessoas para se sentirem fisicamente confortáveis enquanto se apresentam diante de um público. “Através da atuação, podemos nos conectar, atuar juntos e nos expressar por meio de nossas ações, pois nem todos conseguem usar a fala da mesma forma”, afirma.
É gratificante para uma professora ver seus alunos ganhando confiança a cada ensaio. “No começo eles duvidam de si mesmos. Mas depois de um tempo, agir lhes dá poder e os ajuda a encontrar sua voz. Eles aprendem que não há problema em cometer erros e isso os torna mais abertos às ideias dos outros.”
Atualmente ela está ajudando atores a compreender a arte de estar no momento durante uma efficiency ao vivo. “É uma atividade baseada na reação, como o bilhar ou o futebol. Ensino os alunos a estudarem seus co-atores para ver como eles podem se conectar no palco”, diz ela.
Num período sabático do ensino a tempo inteiro na Suíça durante os próximos meses, Manuela está a descobrir as vicissitudes das tradições teatrais da Índia. “Estou impressionado com a pureza do artesanato que os jovens exibem no palco. Os artistas indianos são apaixonados pela sua arte, seja ela dança ou teatro.”
Publicado – 9 de janeiro de 2026, 13h55 IST









