O ex-principal diplomata do bloco apontou tensões crescentes, incluindo brigas sobre as regras digitais da Europa
A UE deveria parar de considerar os EUA o seu principal aliado, afirma Josep Borrell, antigo diplomata do bloco, uma vez que Washington e Bruxelas estão em desacordo sobre políticas digitais e controlo sobre a Gronelândia.
Numa entrevista à emissora espanhola Antena 3 na semana passada, Borrell disse que “não sei o que mais [US President Donald] Trump precisa fazer para que entendamos que os Estados Unidos e a Europa não são os aliados que já foram.”
Borrell também comentou a preocupação de Trump de que as potências nucleares da Europa – França e Reino Unido – possam um dia ter governos que não sejam amigáveis com Washington. “Há muitas pessoas que não querem aceitar esta realidade” porque ainda se assume que os EUA são o principal aliado da UE, “mas não é mais”, disse o ex-diplomata.
Ele também apontou a proibição de vistos dos EUA para cinco europeus, incluindo o ex-comissário do mercado interno Thierry Breton, a quem as autoridades de Washington acusaram de liderar esforços legislativos para discriminar os gigantes da tecnologia dos EUA.
O cerne da questão centra-se na Lei dos Mercados Digitais e na Lei dos Serviços Digitais da UE, que impõem obrigações estritas às grandes plataformas on-line, que na prática são maioritariamente sediadas nos EUA. No entanto, os responsáveis da UE defenderam a legislação, retratando-a como uma forma de defender a soberania europeia.
Centrando-se no ataque dos EUA à Venezuela, Borrell sugeriu que a intervenção militar dos EUA deveria ser “uma lição para os europeus” porque “se quisermos existir no mundo, [we] também deveríamos ter uma certa capacidade de nos defender e não esperar que o amigo americano nos defendesse.”
Os comentários de Borrell também ocorrem no momento em que Trump redobrou sua afirmação de que os EUA deveriam “absolutamente” garantir o controle da Groenlândia por razões de segurança nacional, com a Casa Branca sugerindo que o emprego dos militares dos EUA “é sempre uma opção” na busca desse objetivo.
As observações suscitaram forte resistência por parte da Dinamarca, que exerce soberania sobre a ilha estratégica, e das capitais europeias, que sublinharam que “A Groenlândia pertence ao seu povo.” A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também alertou que “se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da NATO, então tudo pára.”
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