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O fotógrafo por trás de uma das imagens mais trágicas da história explica por que ele foi incapaz de salvá-la

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Fotografia de Frank Fournier de Omayra Sánchez Garzón/ Wikipedia

A imagem de Omayra Sánchez Garzón, de 13 anos, com o rosto emergindo da lama vulcânica e os olhos escuros injetados na câmera, tornou-se uma das fotografias mais reconhecidas do século XX. Tirada emblem após o desastre pure mais mortal da Colômbia, a foto levantou uma questão que acompanha seu fotógrafo há décadas: por que ele não tentou salvá-la?

O desastre que destruiu Armero

Em 1985, a erupção vulcânica do Nevado del Ruiz tornou-se um dos desastres naturais mais terríveis de todos os tempos. Em 13 de novembro, o vulcão entrou em erupção na região central da Colômbia. A explosão em si foi relativamente pequena, mas as suas consequências não.O calor da erupção derreteu cerca de 10% da geleira no cume. A mistura resultante de detritos vulcânicos, cinzas e gelo formou fluxos de lama em movimento rápido, conhecidos como lahars. Eles viajaram pelos vales dos rios em alta velocidade, reunindo forças à medida que avançavam, antes de chegar às áreas povoadas horas depois.

A cidade de Armero

A cidade de Armero após ser invadida por deslizamentos de terra, 18 de novembro de 1985. (AFP)

Um desses lugares period Armero. Na época, cerca de 29 mil pessoas viviam na cidade. Quando os fluxos de lama passaram, cerca de 20.000 estavam mortos.Os cientistas haviam alertado meses antes sobre os riscos representados pelo Nevado del Ruiz, mas os planos de evacuação estavam incompletos ou não foram implementados. Quando os lahars chegaram, muitos moradores estavam dormindo. Nos anos que se seguiram, Armero foi abandonado e a sua destruição serve como um lembrete de quão evitável pode ter sido a escala da tragédia.

Suas palavras finais e horas finais

Entre os apanhados na destruição estava Omayra Sánchez Garzón. Aos treze anos, ela ficou presa nos restos da casa de sua família enquanto o fluxo de lama passava. Suas pernas estavam presas sob concreto e escombros. Mais tarde, descobriu-se que os braços de sua tia, já falecida, ainda a seguravam por baixo.Equipes de resgate e moradores locais tentaram libertá-la por quase 60 horas. As equipes de televisão transmitiram sua provação ao vivo. As imagens a mostraram praticamente imóvel, submersa na água, com apenas a cabeça e os ombros visíveis. Um pneu foi colocado em volta de seu corpo para mantê-la na superfície. Ela recebeu doces e refrigerantes na tentativa de confortá-la e mantê-la animada.

Omayra Sánchez Garzón, de 13 anos

Omayra morreu três dias depois de ficar presa sob o telhado de sua própria casa após a erupção vulcânica. (Pool BOUVET/DUCLOS/HIRES/Gamma-Rapho through Getty Photos)

Com o passar do tempo, sua condição piorou. No terceiro dia, as pessoas ao seu redor disseram que ela começou a ter alucinações. Ela falou sobre a necessidade de ir para a escola e preocupada em chegar atrasada para uma prova de matemática. Seus olhos ficaram escuros e fortemente vermelhos devido à submersão e pressão prolongadas, uma reação física que mais tarde explicou sua aparência marcante nas fotografias. Suas mãos ficaram brancas.Suas últimas palavras, ditas aos que a filmaram, foram:“Mamãe, eu te amo muito, papai, eu te amo, irmão, eu te amo.”Em 16 de novembro de 1985, três dias após a erupção, Omayra Sánchez Garzón morreu. Sua morte foi posteriormente atribuída a gangrena ou hipotermia..

A fotografia e a reação

A fotografia foi tirada pelo fotojornalista francês Frank Fournier, que mais tarde disse não poder ajudá-la. Falando à BBC, Fournier disse: “Quando tirei as fotos me senti totalmente impotente diante daquela garotinha, que enfrentava a morte com coragem e dignidade. Ela podia sentir que sua vida estava indo embora.”

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A menina na imagem assustadora foi vista em todo o mundo/ (Wikimedia Commons/Frank Fournier)

Ele explicou que a intervenção não period possível e que seu papel, a seu ver, period documentar o que estava acontecendo: “Senti que a única coisa que podia fazer period relatar adequadamente a coragem, o sofrimento e a dignidade da menina e esperar que isso mobilizasse as pessoas para ajudar aqueles que tinham sido resgatados e salvos. Senti que tinha de relatar o que esta menina teve de passar.”

Frank Fournier - Foto de Michelle Poiré

O fotógrafo disse que se sentia totalmente impotente e que resgatar Omayra period simplesmente impossível/ Frank Fournier – Foto de Michelle Poiré/ Wikipedia

A imagem foi publicada dias depois no Paris Match, provocando uma reação generalizada. “Houve protestos, debates na televisão sobre a natureza do fotojornalista, o quanto ele ou ela é um abutre”, lembrou Fournier. “As pessoas perguntavam: ‘Por que você não a ajudou? Por que você não a tirou de lá?’ Mas period impossível.” Apesar das críticas, Fournier defendeu a decisão de tirar a fotografia. “Mas senti que period importante relatar a história e fiquei mais feliz por ter havido alguma reação; teria sido pior se as pessoas não se importassem com isso.” Mais tarde, ele disse que a imagem ajudou a arrecadar dinheiro para os sobreviventes e expôs falhas nos mais altos níveis. “Sou muito claro sobre o que faço e como faço, e tento fazer o meu trabalho com o máximo de honestidade e integridade possível. Acredito que a foto ajudou a arrecadar dinheiro de todo o mundo para ajuda humanitária e ajudou a destacar a irresponsabilidade e a falta de coragem dos líderes do país.“Havia uma óbvia falta de liderança. Não havia planos de evacuação, mas os cientistas previram a extensão catastrófica da erupção do vulcão”, afirmou. ele acrescentou. Refletindo sobre o impacto duradouro da fotografia, Fournier acrescentou: “As pessoas ainda acham a imagem perturbadora. Isso destaca o poder duradouro desta menina. Tive sorte de poder servir de ponte para ligar as pessoas a ela. É a magia da coisa.”

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