Os eleitores portugueses fizeram fila nas assembleias de voto no domingo para eleger um novo presidente, com sondagens de opinião a mostrarem três candidatos, incluindo o líder do partido de extrema-direita Chega, perto de um lugar numa provável segunda volta.
Nas cinco décadas desde que Portugal abandonou a sua ditadura fascista, uma eleição presidencial só uma vez – em 1986 – exigiu uma segunda volta, destacando o quão fragmentado o cenário político se tornou com a ascensão da extrema direita e o desencanto dos eleitores com os partidos tradicionais.
A presidência desempenha um papel em grande parte cerimonial em Portugal, mas exerce alguns poderes fundamentais, incluindo, em algumas circunstâncias, dissolver o parlamento, convocar eleições parlamentares antecipadas e vetar legislação.
Aproximadamente 11 milhões de eleitores podem votar. As assembleias de voto encerrarão às 19h00, com as sondagens à boca das urnas previstas para as 20h00 e os resultados divulgados durante a noite.
A última sondagem de opinião pré-eleitoral divulgada na sexta-feira pelos institutos Pitagórica colocava o candidato do Partido Socialista António José Seguro com 25,1%, seguido pelo líder do Chega, André Ventura, com 23%, e João Cotrim de Figueiredo, deputado ao parlamento europeu pelo partido de direita, pró-empresarial Iniciativa Liberal, com 22,3%.
Em Maio passado, o Chega, anti-establishment e anti-imigração, fundado há cerca de sete anos, tornou-se o principal partido da oposição nas eleições parlamentares, obtendo 22,8% dos votos.
Algumas sondagens da semana passada mostraram Ventura ligeiramente à frente, mas sempre dentro da margem de erro, e todas as projeções da segunda volta apontam para uma derrota devido à sua elevada taxa de rejeição de mais de 60% dos eleitores.
A Economist Intelligence Unit afirmou numa nota recente que um segundo turno de Seguro-Ventura “seria mais simples dado o seu [Ventura’s] apelo limitado além de sua base central”, enquanto um confronto envolvendo Cotrim Figueiredo seria mais equilibrado e mais difícil de prever.
“Embora a presidência seja em grande parte simbólica, Ventura é o único candidato que sinaliza uma abordagem mais intervencionista, embora a EIU considere improvável que isso se traduza em vitória”, afirmou.
Há outros oito candidatos, incluindo Luís Marques Mendes, apoiado pelos social-democratas, de centro-direita, no poder, e o almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, que liderou a campanha de vacinação contra a Covid-19 no país, cada um com mais de 11%.











